Greco-Romano [SPQR]

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Greco-Romano [SPQR]

Mensagem por Daniel L. Chassot em Sab Ago 31, 2013 1:47 pm

Capítulo I
Nosso pretor está com problemas!!


Spoiler:
  Vocês todos devem ter lido algo a respeito em algum lugar, ter visto monumentos em museus e cidades, ou até mesmo jogado "God of War", mas todos devem saber alguma coisa sobre mitologia. Antigamente (beeeeeem antigo mesmo), os gregos veneraram deuses para cada fenômeno natural que acontecia no mundo, e foi assim que se deu início à mitologia grega. O que alguns também devem saber é que posteriormente, os romanos iriam adotar um panteão semelhante ao dos gregos, trocando os nomes, as personalidades e até mesmo as roupas (sim, as roupas). O que poucos devem saber é que esses deuses existem até hoje, e existem em nosso mundo. Conforme antigamente, os deuses se encontram na nação mais poderosa do mundo, atualmente sendo os Estados Unidos. "Aonde você quer chegar?", vocês devem estar me perguntando, e eu lhes responderei. Os deuses antigos continuam tendo filhos com humanos até hoje, e nós popularmente os batizamos de meio-sangues, ou semideuses. Se você está lendo isso e acreditando nas minhas palavras, tem a grande probabilidade de ser um de nós, agora se você acha que estou falando um bando de asneiras, feche a página imediatamente e vá navegar pelo facebook e fazer as coisas normais que mortais fazem. Como eu sei de tudo isso? De quem eu sou filho? Bem, apenas acompanhando minha história para descobrir.
  Sou um semideus que vive em um acampamento no Oeste dos EUA, chamado Acampamento Júpiter, para semideuses romanos, enquanto os deuses vivem perto dos nossos parentes do Leste, no acampamento Meio-Sangue para semideuses gregos. Há algum tempo atrás, gregos e romanos tinham uma rixa muito violenta e sanguinária, mas após 7 semideuses cumprirem a última grande profecia, essa rixa se encerrou e gregos e romanos voltaram a conviver em harmonia um sabendo da existência do outro, embora alguns gregos continuem tendo uma certa repulsa pelos romanos e vice-versa. Ultimamente, nossos líderes são amigos bem próximos que fizeram parte dos 7 da profecia. Nosso pretor, o líder de nosso acampamento, se chama Jason Grace, filho de Júpiter e um dos melhores guerreiros que nosso acampamento já teve. Ao seu lado na pretoria está Reyna, filha de Bellona, que ficou cuidando do acampamento enquanto Jason foi enviado ao Acampamento Meio-Sangue por Juno para concluir a missão de fechar as Portas da Morte e destruir os Gigantes. Agora, vamos ao que interessa.
  Era um dia normal no Acampamento Júpiter, o sol brilhava no céu, os pássaros cantavam e já era possível ouvir o barulho de armas se batendo e de armaduras caindo (sim, existiam os novatos que não sabiam colocar direito a armadura que acabavam deixando-na cair).  Os raios de sol começaram a adentrar pelas janelas e a invadir meus olhos, me fazendo abri-los. Lá estava eu, como em todos os últimos anos na qual eu estava morando naquele mesmo lugar. O quarto era grande e quadrado, cheio de camas uma do lado da outra com um criado-mudo ao lado de cada, com camas do outro lado do quarto com os pés virados para os pés das camas do outro lado, com um espaço razoável entre elas por onde as pessoas poderiam passar sem precisar pular por cima dos companheiros. A entrada tinha uma porta comum de madeira e, ao entrar, haviam duas portas do lado direito e esquerdo do quarto que levavam a dois banheiros onde os semideuses se trocavam (apesar das banheiras pra banho ficarem um pouco distantes de nossa base), e um frigobar ao final do corredor central. Todos os meus companheiros legionários estavam lá também, alguns acabando de acordar feito eu, outros colocando suas blusas roxas prontos para mais um dia de atividades, e outros incomodando outros que continuavam a dormir. Um semideus filho de Mercúrio estava prestes a colocar a mão de um outro companheiro nosso dentro da água fria.

  - Gabriel, nem pense nisso... - Eu disse ainda deitado em minha cama. No momento em que ele me ouviu, imediatamente parou e começou a tomar a água do copo. Após isso, retrucou.

  - Ah, cara, como você é chato e sem-graça, não deixa nem eu zoar um pouco com nossos companheiros - Diz ele, indo em direção ao banheiro trocar de roupa - Já que minha diversão da manhã foi interrompida, vou me preparar. O café da manhã logo logo logo estará sendo servido e não quero ficar sem comida. Boa manhã para vocês.

  - Ainda são 6 e meia da manhã, Gabriel... O café só vai ser servido daqui duas horas  - Diz uma garota adentrando nosso quarto, usando a camisa roxa do acampamento , com o cabelo escuro trançado caindo por cima do ombro esquerdo. Já que isso tornaria as coisas mais confortáveis, havíamos dividido nosso aposento em dois quartos, um para as garotas e outro para os garotos. Em seguida, outra garota trajando a camisa roxa do acampamento de cabelo cacheado loiro na altura dos ombros usando óculos entrou.

  - Mas são uns preguiçosos mesmo... Até mesmo nosso centurião ainda está dormindo!! - Diz ela, apontando para a cama que ficava à frente da minha, onde Gary babava no travesseiro e continuava dormindo como se fosse uma pedra.

  - Nem reclama dele... Agora a pouco o irmão dele que vocês estão vendo ali indo pro banheiro tentou fazer uma de suas traquinagens com o garoto ali da penúltima cama do lado direito. É um garoto que chegou aqui faz 2 dias e não decorei o nome ainda. Enfim, prefiro ele dormindo do que fazendo traquinagens que nem o irmão. E o que as duas fazem tão cedo acordadas? - Pergunto, passando um dos braços por cima da cabeça e tapando meus olhos da luz que agora vinha através da porta que elas haviam acabado de abrir.

  - Vai dizer que esqueceu, "senhor centurião"? Hoje fazem 20 anos que nosso pretor ajudou os outros 6 da profecia a acabarem com os gigantes, destruir as forças de Gaia e fechar as Portas da Morte!! - Diz a garota do cabelo trançado. No mesmo instante, tiro o braço de cima da cara e me levanto em questão de segundos.

  - É HOJE?? Pelos deuses, como pude esquecer dessa data tão importante? O papel com o calendário deveria estar pregado bem a... - Eu já ia apontar pra parede, quando vi Gabriel saindo do banheiro.

  - Cara... esqueci de avisar. O banheiro estava sem papel higiênico e tive que usar aquela folha que tava bem ali na parede. Você não se incomoda, não é.... - Ele é interrompido quando lanço um olhar mortal pra ele do estilo "corre agora se ainda quiser viver" e vai imediatamente na direção da porta, até que nota as duas garotas diante dela - Quem deixou as duas enxeridas entrarem assim em nosso quarto?

  - Caso você não saiba, estamos aqui pra lembrar vocês de algo que por sua causa vocês estavam esquecendo. Agora andem logo e se levantem, antes que cheguemos atrasados no Coliseu. A cerimônia começa em 20 minutos, com a apresentação dos centuriões na arena. Eu e Summeré iremos indo na frente para garantirmos bons lugares para assistir ao espetáculo. Espero que o Gary ali acorde a tempo para a cerimônia. Espero que você também não se atrase, Daniel - Diz ela, saindo do quarto e montando em um cavalo preto e grande, com Summeré na garupa. Após as duas virarem uma esquina, olho para Gary ainda dormindo e peço o copo de Gabriel emprestado para atirar água no rosto de Gary, que acorda assustado.

  - Mãe? Já é hora da escola? O cachorro fugiu de casa? - Pergunta ele, até perceber onde estava e se controlar novamente - Ah... foi mal pessoal, acho que acabei dormindo demais... Que horas são? - Pergunta ele, bocejando e levantando os braços.

  - Faltam 18 minutos para nos arrumarmos e chegarmos até o Coliseu. Esqueceu que dia é hoje?

  - Hoje? É dia do Gabriel limpar o dormitório, se não me engano....

  - Seu maldito!! Tinha que lembrar disso justo agora? - Reclama Gabriel, que sai do dormitório atrás de uma vassoura. Enquanto isso, volto a falar com Gary.

  - Hoje é o grande dia, temos que nos apressar. Você vai se trocar no banheiro esquerdo que eu vou no direito - De repente, Gabriel volta.

  - Ah é, esqueci de avisar, hoje de manhã os novatos estavam carregando as armaduras para o Coliseu, então não precisa se preocupar em pegar ela no quartel da nossa coorte.

  - Obrigado pelo aviso, agora vamos logo - Digo e, após estarmos os dois prontos, vamos em direção ao quartel, onde dois cavalos para os centuriões nos aguardavam. Essa era uma das grandes vantagens que eu encontrava em ser um centurião, tínhamos cavalos para o caso de atrasos. Em questão de minutos estávamos na Via Praetoria, rumo ao Coliseu. No caminho, encontrei cavalos ao horizonte próximos as fronteiras de Nova Roma. Forcei os olhos para descobrir quem eram, e pude ver ambos carregando o estandarte da 3ª Coorte.

  - Quem são? - Pergunta Gary

  - Os centuriões da 3ª Coorte. Estamos mesmo muito atrasados. Precisamos chegar lá o mais cedo possível - Digo, e então nossos cavalos começam a correr mais rápido e chegamos em Nova Roma, prontos para ir ao Coliseu. Ao nos aproximarmos, percebo uma grande quantidade de gritos vindo de dentro dele, como várias pessoas ansiosas para a cerimônia. Paramos em frente à grande arena, faltando ainda 5 minutos, e deixamos nossos cavalos do lado de fora, onde vejo também o cavalo grande e negro de nossa companheira de coorte. Quando estávamos chegando na entrada, a pretora apareceu diante de nós nos mandando ir em outra direção, para o subsolo, onde os centuriões se preparavam para a cerimônia. Chegando lá em baixo, o ambiente era bem escuro iluminado apenas por tochas. Logo de imediato observei que todos os centuriões estavam com a armadura completa e com suas armas em mãos, prontos para o combate.

  - Estão atrasados - Disse o centurião da 3ª Coorte, irritado.

  - Deixe eles, pelo menos eles chegaram no horário - Respondeu o centurião da 1ª Coorte.

  - Espero que esteja pronto para perder, Daniel - Diz um dos centuriões da 2ª Coorte com um lobo de gelo ao seu lado.

  - Não ache que vai ser tão fácil assim... - Respondo, e então os dois centuriões da 4ª coorte vem me cumprimentar.

  - Sorte que vocês apareceram. Seria terrível não aparecerem para celebrar um dia tão grandioso para nosso pretor, não é mesmo? - Diz a garota.

  - Realmente... eu estou muito afim de lutar com algum de vocês. Seria uma pena mesmo vocês se atrasarem - Responde o garoto. Uma coisa curiosa a respeito da 4ª Coorte era que os dois centuriões eram irmãos filhos de Bacco. Isso tornava a aliança deles muito forte nos Jogos de Guerra e atividades do tipo.  

  - Jamais que eu iria perder uma cerimônia dessas... é que um dos meus legionários acabou usando meu calendário como papel higiênico. É complicado lidar com filhos de Mercúrio - No mesmo momento, me virei pro meu colega - Sem ofensas é claro, Gary.

  - Relaxa, já me acostumei com isso - Responde ele.

  - E então, tão esperando o que para começarem a por suas armaduras? O evento vai começar em breve - Avisa o outro centurião da 2ª Coorte com um hamster na mão (sei lá por que diabos ele tinha aquele hamster).

  Então, um alarme começa a tocar quando começo a colocar as caneleiras da armadura. A cerimônia estava prestes a começar.

[Enquanto isso do lado de fora...]

  - Será que aqueles dois preguiçosos conseguiram chegar a tempo? - Pergunta Summeré para a garota da trança.

  - Acredito que sim. Lembre-se que nossos centuriões participaram de todas as atividades e eventos importantes do acampamento. Eles não vão faltar a essa - Responde ela, quando gritos surgem da platéia. Quando as duas vão olhar, elas vêem um fauno na arquibancada próximo às cadeiras dos pretores. Ele usava camiseta regata, trazia um violão nas costas, tinha chifres médios e cabelo escuro encaracolado. Se a memória não lhe falhava, seu nome era Jhony.

  - Semideuses e semideusas!! Estamos aqui hoje para comemorarmos o 20º Aniversário da Grande Vitória dos 7 da Profecia!! Para começarmos bem o dia, vamos todos nos levantar para saudarmos os pretores: Reyna, filha de Bellona!! Jason Grace, filho de Júpiter Optimus Maximus!! - Grita ele, e então, todos os semideuses e semideusas da arquibancada se levantam e colocam a mão em punho fechado sobre o peito do lado esquerdo e a estendem posteriormente em frente ao corpo, em saudação aos pretores. Reyna simplesmente se dirige a sua cadeira e senta, enquanto Jason acena para todos antes de se sentar. Reyna também tinha o cabelo trançado por cima do ombro, e usava suas vestimentas de sempre: a camisa roxa do acampamento, uma armadura por cima, e a toga roxa de pretor com a medalha de águia mostrando seu cargo para todos. Seu rosto estava bem preservado para a idade. Jason estava alto e imponente como sempre, agora com um corte de cabelo semelhante ao de seu pai, com um físico bem mais forte e com uma grande e espessa barba loira no rosto, lembrando muito a aparência de Júpiter.

  - É por isso que eu gosto da pretora, ela não está nem aí pra ninguém, só quer o bem do acampamento e dos campistas - Diz a garota de cabelo trançado da 5ª Coorte. E então, o fauno volta a falar.

  - Para darmos início a essa cerimônia, vamos em questão de minutos começar o torneio dos centuriões. Dois atrasados acabaram de chegar e ainda precisam colocar as armaduras. Daremos mais 10 minutos para eles se prepararem e então daremos início ao torneio.

  - 10 minutos... Isso é tempo o suficiente - Diz a garota de trança, sussurrando para si mesma.

  - O que você disse? - Pergunta Summeré.

  - Nada... Eu vou no banheiro, já volto - Diz ela, saindo de seu lugar e indo em direção ao subsolo ao invés do banheiro - Hora de treinar.

[Voltando ao subsolo...]

  - Cara, to meio enrolado com a minha armadura... Os outros centuriões já estão no portão prontos para adentrarem a arena.  Se você quiser ir lá pode ir, daqui a pouco eu chego lá e entro junto com vocês. Só falta eu colocar minhas ombreiras, minhas manoplas e meu elmo.

  - Numa boa, vou indo lá então cara - Diz Gary, indo em direção ao portão de acesso à arena. Poucos momentos após, uma ponta de lança aparece bem próxima ao meu rosto, ficando a centímetros do meu rosto.

  - Isabella, o que pensa que está fazendo? - Pergunto, levantando os olhos e vendo a garota com o cabelo trançado me encarando segurando a lança em uma só mão.

  - Achei que o grande centurião poderia ensinar sua aprendiz a lutar direito antes de começar a cerimônia. E então, o que acha? - Pergunta ela, levantando a lança e a apoiando no chão.

  - Isa... Até hoje não sei porque você me escolheu como tutor, mas você não acha que essa história de aulas particulares pode acabar complicando um pouco minha vida de centurião? Eu ainda tenho que terminar de por minha armadura. Desculpa, mas hoje não vai dar - Digo, pegando minha ombreira e começando a colocá-la no corpo, quando noto o rosto de frustração dela. De repente, ela muda de feição, o que me dá um certo medo.

  - Sendo assim... - Ela pega o cabo da lança e bate na outra ombreira, atirando-a longe - E eu te escolhi pra tutor porque você sabe muito bem que você é um dos melhores guerreiros desse acampamento, e eu sou filha da deusa da guerra, então não posso desapontar meus colegas de acampamento me mostrando uma fraca em campo de batalha. Preciso que você me torne forte para poder ser digna do respeito deles e digna de ser chamada filha de Bellona, mas achei que eu já tivesse te contado isso faz mais de um ano... vai dizer que também esqueceu?

  - Hey! Você tem ideia do que está fazendo? Vou precisar daquela ombreira - Pergunto, irritado e sem querer ignorando a pergunta dela, estendendo a mão para pegar a ombreira de novo, quando ela movimenta a lança de tal forma que a ponta passa estocando a centímetros de meus dedos, impedindo a passagem de minha mão.

  - Ou você me treina, ou não deixarei com que pegue sua tão preciosa ombreira, caro mestre - Diz ela, com um sorriso maligno no rosto. Aquele sorrio me deixou ainda mais irritado.

  - Você... me irrita as vezes, sabia? - Digo, tirando de meu bolso uma chave de ouro e girando-a diante de mim em um movimento de 90º no sentido anti-horário, e então a chave se transforma em uma espada longa em questão de segundos - Se é isso que você quer, vamos lá - Digo, posicionando a espada na frente de meu corpo - Hoje vamos treinar suas estocadas e defesa, espero que esteja preparada.

  - Sempre estou - Diz ela, segurando a lança horizontalmente e mirando-a em direção ao meu peito, em seguida movendo-a para frente.

[Enquanto isso, no portão...]

  - E então, quando será que poderemos entrar na arena? - Pergunta o garoto com um lobo de gelo.

  - Creio que em breve, faltam poucos minutos para começar a cerimônia - Responde o filho de Bacco da 4ª Coorte.

  - Pessoal, o Daniel vai se atrasar um pouco mais, mas daqui a pouco irá entrar conosco.

  - Aquele filho de Mercúrio realmente o atrasou bastante... Espero que ele chegue a tempo - Diz o centurião da 3ª Coorte, quando o sinal começa a tocar novamente e os portões se abrem. Os 8 centuriões das 4 primeiras coortes começam a adentrar a arena, sobre os gritos e aplausos de seus companheiros de coorte. No entanto, Gary ficou e voltou para procurar por Daniel.

[Na arquibancada...]

  - Onde será que fica esse banheiro pra Isa estar demorando tanto? - Pergunta Summeré.

  - Boa pergunta - Responde uma garota da 5ª Coorte que estava tomando milk-shake (apesar de não ser o melhor local e hora pra isso). Em seguida, o sinal toca e os portões da arena se abrem. Summeré nota que Jason havia ficado super empolgado ao ver os centuriões adentrando a arena. Ele quase se levanta para observar os centuriões, e parece ficar confuso ao não ver um certo centurião.

  - Onde está o Daniel? - Pergunta ele, e Reyna que estava ao seu lado logo lhe responde.

  - Provavelmente está treinando minha irmã mais nova... Ás vezes coloco o Argentum para ficar de olho nela e descobri que ela está sendo treinada pelo seu guerreiro favorito do acampamento. Falando nisso, como anda a Thalia?

  - Continua com a mesma aparência jovem de sempre, e disse que esse ano iria esperar ansiosamente minha chegada ao Acampamento Meio-Sangue. As caçadoras decidiram ficar no chalé 8 durante o período de festividades. Agora o que está me preocupando é que esse treinamento deles pode fazer com que Daniel se atrase, e hoje eu estava muito ansioso para vê-lo lutar. O garoto é um guerreiro melhor do que eu era na nossa missão 20 anos atrás. Pena que ele seja tão atrapalhado e preguiçoso... Se ele levasse as coisas mais a sério ele seria um excelente candidato à minha substituição. Assim, eu poderia me aposentar desse cargo e ir morar com Piper e nosso filho aqui em Nova Roma, e meu dever estaria cumprido.

  - Pare de falar assim, parece até que você está prestes a morrer. Apenas aproveite o tempo que você ainda possui de Pretor e vamos ver do que o seu tão querido guerreiro será capaz contra os outros centuriões. Sei muito bem que ele já foi o responsável por diversas vitórias da 5ª Coorte nos Jogos de Guerra, mas vamos ver como ele se sairá em um mano-a-mano com guerreiros tão experientes quanto ele.

  - Tenho certeza que ele não irá me decepcionar... - Disse Jason, voltando a se ajeitar na cadeira e pedir para o fauno Jhony não começar a cerimônia enquanto Daniel não adentrasse a arena, mas que ele já fosse sorteando os duelos do torneio.

[Voltando ao subsolo...]

  Após o treinamento, eu estava realmente cansado. Ficar desviando de diversas estocadas em sequência foi realmente trabalhoso, mas as técnicas de defesa de Isabella haviam melhorado consideravelmente. Ela estava se tornando uma excelente guerreira, e me dava orgulho ser o tutor dela.

  - E então, podemos parar o treino por hora? Tenho uma cerimônia para participar e não posso me atrasar, ou as coisas vão ficar feias para mim - Disse, abaixando a espada e virando de costas para ela, indo em direção à ombreira caída.

  - Ah nem, ainda quero aprender mais!! - Disse ela vindo em minha direção tentando um ataque com a lança, mas eu simplesmente bloqueei o ataque com a espada e girei de uma maneira que a lança acabou indo para longe dela, e antes que eu percebesse minha espada já estava à centímetros do pescoço dela.

  - Acabou... Agora volte a arquibancada antes que te encontrem aqui em baixo. Isso também iria gerar problemas para você. Ordens de seu mestre - Digo, dando uma risada amigável.

  - Seu sacana, nem me deixou me divertir direito... Espero algum dia poder participar dessa cerimônia e lutar contra você de igual pra igual.

  - Se você continuar se esforçando nos treinos pode ter certeza que irá, mas pra isso você precisa ter mais paciência. "A pressa é inimiga da perfeição", é o que diz o ditado - Então, escutei passos vindo descendo a escadaria - Vá logo, estão vindo - Eu disse, e então ela subiu pela outra escadaria em direção à arquibancada. Enquanto isso, girei minha espada em minha mão e segurei o punho com o botão voltado para frente. Fiz um giro de 90º no sentido horário e a espada se desfez, voltando a virar apenas uma simples chave de ouro. Quando meu colega Gary chegou, eu já estava com a ombreira em mãos a encaixando na armadura.

  - Anda logo aí cara, o pretor disse que não irá começar a cerimônia enquanto você não estiver presente - Diz ele, ainda bocejando graças ao sono.

  - Pode deixar, só faltam as manoplas e logo logo estarei lá - Digo, colocando-as e acompanhando ele escadaria acima em direção aos portões. Quando eu e ele entramos com o estandarte da nossa coorte, muitos dos campistas das outras coortes vaiaram a demora, outros aplaudiram e gritaram meu nome pelo respeito que tinham por mim, e todos da minha coorte se levantaram e começaram a gritar, até mesmo a Isabella que já havia retornado para o seu lugar. Quando olho para Jason, ele parece muito contente ao me ver, e então ergue a mão e se levanta. Como gesto de respeito, todos nós, centuriões, fazemos o gesto que todos os outros fizeram aos pretores antes, e posteriormente nos agachamos na arena voltados para ele.

  - Vamos então dar início ao nosso torneio!! Os duelos já foram sorteados, e já iremos começá-los - Diz ele, e então, todos formamos uma linha reta um de lado pro outro - Os nomes que eu falar por favor deem um passo a frente... Primeiro combate: Daniel, filho de Júpiter Optimus Maximus, contra Ana Beatriz, filha de Bacco!! - Fiquei surpreso por já estar no primeiro combate, e Ana pareceu meio hesitante quanto a ter que me enfrentar logo de cara, porém, ambos demos um passo a frente e os outros recuaram para perto do portão, deixando a arena inteira disponível para o nosso combate.

  - Não esperava ter que lutar com você tão cedo, Ana... É uma pena - Digo, pegando o elmo de debaixo do meu braço e o colocando na cabeça. O elmo era semelhante ao elmo usado por Maximmus no filme "Gladiador". Ana então pega seu elmo também e o coloca na cabeça.

  - Nem eu queria ter que te enfrentar tão cedo... - Diz ela, parecendo um pouco assustada.

  - Guerreiros, saquem suas armas e preparem-se para começar - Diz Jason, e então, faço novamente o mesmo movimento com a chave, transformando-a em uma espada de duas mãos. Esqueci de falar anteriormente, a espada tinha as pontas dos punhos em formato de raio, e o botão da espada tinha o formato da cabeça de uma águia. Ana já estava com sua espada preparada: era semelhante a antiga espada do Rei Arthur nas lendas, totalmente dourada, batizada de Excalibela. Após ambos fazermos reverências um para o outro, o pretor deu início ao combate. Eu pretendia não ter que usar meus poderes contra ela, apesar dela ser cautelosa o bastante para não ter vindo para cima de primeira, como faziam a maioria dos novatos, e a minha aprendiza. Então, ela tomava distância e buscava uma abertura para o ataque, porém, eu não dava nenhuma. Resolvi então eu mesmo ir atacar. Tentei um golpe superior, mas ela se defendeu de maneira correta e quase emendou um ataque lateral na direção da minha cintura pela esquerda, mas girei minha espada no tempo certo de bloquear o ataque, e girei minha espada para o outro lado afim de me livrar do ataque dela. Nos distanciamos novamente um pouco e voltamos a nos encarar buscando aberturas. Quando me dei conta, vinhedos cresciam do chão e começavam a enrolar meus pés, impedindo minha movimentação. Ela havia bolado uma bela armadilha. Quando veio me atacar, só tive tempo de me defender até que um vinhedo se prendeu em minha mão esquerda, me impedindo de movimentá-la, e quase tomei um golpe certeiro no ombro, que só defendi graças a rotação do meu pulso que fez a espada ficar no meu caminho com a lâmina. Eu tinha que me livrar daqueles vinhedos ou iria acabar perdendo aquele duelo, mas usar meus poderes estava fora de cogitação. Dei um grito de distração que fez ela recuar um pouco, o que me deu tempo o bastante para me preparar para o próximo golpe dela. O primeiro golpe foi vertical e desviei movimentando meu tronco para o lado de maneira brusca, de forma que a espada passou a milímetros de arrancar um pedaço do meu ombro direito. Ela não soube administrar o peso da espada muito bem e acabou cortando o vinhedo que prendia minha perna, me dando novamente liberdade de preparar uma base. O vinhedo em minha mão esquerda continuava puxando ela para o solo, me fazendo ficar todo contorcido. No que ela veio me atacar lateralmente na altura da cabeça pela esquerda, consegui me abaixar, e com isso fiquei na altura certa para golpear ela sem chances de defesas graças a guarda aberta. Quando a espada dela passou reto por cima de minha cabeça, o peito dela ficou desprotegido e consegui atingir um golpe com a espada de baixo pra cima com a ajuda da mão direita que atingiu a armadura no peitoral dela e a fez cair para trás. Nisso, tive tempo o bastante para me livrar dos vinhedos, enquanto ela rapidamente se erguia do chão. Ela percebeu então que eu não facilitaria de forma alguma as coisas pra ela, e ela parecia um pouco cansada. Corri então na direção dela para começar uma sequência de ataques que cansaria ela mais ainda. Comecei por um diagonal de baixo pra cima pela esquerda, e ela fez exatamente o que eu queria, colocou a espada na frente. A força com que dei o ataque foi tanta que a espada voou da mão dela, caindo há alguns metros atrás dela. Após isso, parei a espada na altura do pescoço dela, mas ela tirou um vinhedo do chão que novamente bloqueou meus braços. Dessa vez foram vários e vários vinhedos. Ela então simplesmente tirou a espada das minhas mãos e a jogou longe, indo buscar a dela.

  - Se é pra te vencer, quero fazer isso com minha própria espada - Disse ela, se aproximando com a sua Excalibela, e todos na arquibancada pararam de respirar por um momento quando ela veio dar o golpe dela. Eu havia prometido não usar meus poderes, mas não teve outro jeito. Minhas mãos estavam presas por vários vinhedos e eu não conseguia movê-las. Fechei os olhos e focalizei minha espada, então canalizei uma onda eletrostática para minhas mãos, e comecei a sentir o punho da minha espada respondendo. Esse era um dos segredos da minha espada: graças a eu ser filho de Júpiter, consegui criar com minha espada uma ligação eletrostática, então não importa a distância que ela esteja, vou ser capaz de atraí-la por magnetismo direto para minhas mãos. No momento que ela ia desferir o golpe final e me nocautear, minha espada passou pelas pernas dela, a derrubando e vindo até minhas mãos, então canalizei um pouco mais de eletricidade para os raios do cabo de minha espada e deixei eles afiados o bastante para me livrar dos vinhedos sem girar os pulsos. Ana ainda estava caída quando eu resolvi transformar minha espada de volta em chave e ergui minha mão para ela.

  - Chega... acabou. Me dê sua mão para eu te ajudar a se levantar - Mas ela me pegou de surpresa. Minha pose me deixava sem defesa, então ela ergueu a espada do chão ainda deitada e a mirou em direção ao meu peito, e novamente todos assistindo prenderam a respiração por alguns momentos. Fiz a maior loucura de minha vida, coloquei as duas mãos na frente da lâmina e consegui impedir seu avanço, com a ponta de sua espada a milímetros de me tocar. Quando ela viu que sua lâmina não havia me atingido, ela ficou paralisada de espanto. Ela ainda tentou empurrar a espada, mas a força que eu estava exercendo na espada não permitiu que isso acontecesse. Resolvi então acabar de vez com o combate, e canalizei eletricidade para minhas mãos novamente, e essa eletricidade foi das minhas mãos canalizada pela espada até as mãos dela, e o choque elétrico fez ela soltar a espada, me dando liberdade para usar a própria espada dela para rendê-la. Combate encerrado. A multidão da 5ª coorte foi a loucura, e todos do público começaram a gritar meu nome em uníssono. Até mesmo os legionários da 4ª coorte me aclamaram. Olhei para os pretores e enquanto Reyna batia palmas com uma cara levemente impressionada, Jason se ergueu para me aplaudir de pé.

  - Está vendo, Reyna? Esse é o motivo pela qual meu irmãozinho é meu guerreiro favorito!! Até sem arma ele é capaz de improvisar algo para vencer.

  - Ana também não foi nada mal. Nunca imaginei que aquela garota iria dar tamanho trabalho para Daniel. Ela está se mostrando uma excelente guerreira também - Responde a pretora.

  - Estou pensando em ir lá dar meus parabéns pessoais para meu irmão mais novo. Você vem comigo? - Pergunta ele, andando em direção a um elevador que descia diretamente no andar da arena, por outro pequeno portão.

  - E eu tenho outra escolha? - Diz ela, se levantando e acompanhando Jason em direção ao pequeno elevador. Então, todos voltam a se sentar quando os pretores adentram a arena. Ao me ver, Jason imediatamente anda em minha direção e me dá um abraço fraternal, de irmão pra irmão. Reyna apenas observa sem mudar sua expressão facial (o que ela tinha afinal?). Ela então vai falar com Ana que estava se levantando aos poucos, e Jason para o abraço.

  - Cara... nunca esperei ver você ganhando uma batalha sem arma, mas a cada vez que você luta você me surpreende mais!! - Diz ele, com as mãos em meus ombros - Você está se tornando um guerreiro sem iguais. Eu não devia ter favoritismo, mas torço pra você vencer esse torneio. Agora vá lá e continue... - Ele começou a dizer, mas então ele pareceu abatido e apertou meus ombros com mais força, como se fosse cair. Alguma coisa com ele não estava certa. Ele então abaixou a cabeça e começou a tossir, e pra meu temor e pro de todos ao nosso redor, nosso pretor começou a tossir sangue, muito sangue. Ele então ficou de joelhos e largou meu ombro para por a mão na frente da boca, mas o sangue continuava escorrendo por entre seus dedos em direção ao chão.

  - Irmão!! - Grito, tentando ajudá-lo, mas sem saber como. No mesmo instante, Reyna vê o que estava acontecendo com Jason e imediatamente manda chamar os curandeiros do acampamento. Eu estava paralisado de medo, enquanto Reyna tentava de todas as formas possíveis fazer algo para salvá-lo. Todos na arquibancada viram o que estava acontecendo e quiseram descer para ajudar, mas Reyna colocou Argentum e Aurum na frente da entrada para que ninguém além dos curandeiros adentrasse a arena.

  - Jason.... O que há de errado com você? - Diz ela, preocupada, e então se vira para mim, Ana e todos os outros centuriões - Vão em direção à saída e levem todos os seus legionários para seus respectivos quartéis. É uma ordem. Tentaremos curar Jason agora, e posteriormente passaremos mais informações. VÃO!! - Diz ela, nos fulminando com seu olhar. Algo havia acontecido com meu irmão mais velho, e eu não fazia ideia do que poderia ter sido, e pelo visto, nem mesmo Reyna sabia. Então, fomos todos para a saída e pegamos nossos cavalos e estandartes. Ao chegarmos nos nossos, vários campistas da coorte vieram fazendo perguntas.

  - O que há de errado com nosso pretor?

   - Ele está morrendo?

   - Ele vai ficar bem?

   - O que devemos fazer?

   - Todos vocês, isso é uma ordem. Vamos agora mesmo voltar para o quartel da 5ª Coorte. Mais tarde explicarei tudo que vocês querem saber - Digo, deixando a arena e indo em direção à via Praetoria seguido pelos meus legionários. Olho para trás e só consigo pensar em uma coisa:

"Viva, meu irmão".

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