Olimpo aqui, Olimpo lá

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Mensagem por Soneks em Dom Jul 07, 2013 4:11 am

I

ULYS
Ulys não estava tendo um dia legal, ou melhor, uma semana legal. Ou melhor ainda, o mês inteiro não foi legal. Mesmo assim o dia dele estava sendo muito chato – não para “Ah, que chato.” e sim para “Ah, que chato. Prefiro dançar Macarena em cima de ovos com dois ornitorrincos mordendo minhas orelhas.” – Nunca houve um sábado a noite tão chato como esse. Para piorar, sua irmã que adorava irritar ele, sentou-se ao seu lado no sofá. Ela era apenas um ano mais nova do que Ulys e, mesmo sendo irmãos, a única coisa que eles possuíam em comum eram os olhos verdes, pois os cabelos dela eram castanhos, enquanto os de Ulys eram pretos, e a altura... Ulys media 1,75, enquanto Valki – a irmã dele – media 1,50. Lembrar-se disso fez com que Ulys passasse de entediado para se divertindo, demonstrando isso com uma risada.
– O que foi? – Perguntou Valki com uma cara zangada, como se soubesse o que ele estava pensando.
Ulys nem olhou para ela, apenas para deixá-la mais furiosa do que já estava.
– Estava apenas pensando o quanto você é baixa. – Disse Ulys, esboçando um sorriso maldoso.
Valki rosnou, e saiu do sofá em direção à cozinha, provavelmente para pegar comida. Não importava o quanto ela comesse, ela nunca engordaria, o que também se aplicava a Ulys. Essa é mais uma semelhança entre eles, Ulys pensou. Valki voltou com um pacote de Doritos. Ulys nem mesmo pensou em pedir um pouco, já que prefere comidas com açúcar. De repente ambos escutaram algo bater na porta, e se entreolharam, assustados, mas então perceberam que era apenas sua mãe entrando. Mesmo assim, tiveram um mau pressentimento.
– Olá, crianças. – A mãe deles disse, com o sorriso de sempre que acalmava qualquer situação. – Trouxe o primo de vocês para ficar um pedaço aqui!
De fato, era o primo deles, mas ele parecia, hm... Diferente. Quer dizer, Ulys já estranhava o fato de que o primo deles sempre usasse boné e mancasse, mesmo a mãe deles alegando que ele não possuía nenhum tipo de problema nas pernas.
Béoa noite, primos! O que acham de dar um rolé? – Disse o primo deles, Junior.
Ulys achou estranho o fato de que o “Béoa noite” dele saiu mais como um “Bée”, como se fosse um bode.
– Ah, claro, deixe eu só pegar meu casaco. – Disse Ulys.
Ulys voltou e os três – Ulys, Valki e Junior – foram passear. Pelo menos Ulys esperava que isso alegrasse a noite deles.
Ulys descobriu que estava terrivelmente enganado. Seu “status” mudara de terrivelmente entediado para terrivelmente assustado. O que eles estavam vendo? E por que Junior dizia que estava tudo bem, como se fosse a situação mais normal do mundo? MALDIÇÃO, eles estavam sendo perseguidos por pássaros de fogo!, pensou Ulys. Ele não sabia como os pássaros estavam pegando fogo e correndo para cima deles, mas com certeza não queria descobrir.
– O nome desse pássaro é fênix. – Disse Valki – São pássaros que morrem, entram em um processo de autocombustão e retornam a vida. Na mitologia grega ela é sinal de esperança, e—
– Eu não quero saber de histórias e nem de sinal de esperança. Apenas fique calada e corra! – Ulys gritou para Valki.
– Meus deuses! – Gritou Junior. – Estão vendo aquela colina com uma árvore em cima? Corram para lá, e só parem quando estiverem depois da árvore!
Ulys não tinha percebido, mas agora estavam em uma área completamente deserta. E na frente, bem na frente, havia uma árvore no topo da colina, ele concluiu que Junior estava falando dela.
– Não era você que dizia para ficarmos calmos? – Ulys perguntou.
– Sim, mas agora vi que a situação era séria! – Disse Junior.
– E se nos mandou correr, vai enfrentar elas? Como? – Ulys perguntou.
– Vou apenas distraí-las! Tenho que salvar vocês! – Junior gritou, seu tom agora era autoritário, como se estivesse certo de que precisava fazer isso.
– Você é nosso primo, não vamos deixá-lo morrer, MALDIÇÃO! – Ulys praguejou.
– Não acredito que você ainda não percebeu! – Disse Junior. – Eu sou um sátiro, não sou primo de vocês!
– Sapo?! – Ulys perguntou.
Valki olhou para Ulys com cara de “Você é o ser mais burro dessa terra.”
– Ele disse sátiro. – Valki disse. – São seres mitológicos que possuem metade do corpo humano e metade do corpo de um bode.
Ulys não estava certo de como ela sabia de tudo isso, mas sempre que Ulys perguntava, ela dizia “Internet!” e dava um sorriso descarado. Logo, Junior tirou seus sapatos, calças e bonés. Da cabeça dele saíam chifres parecidos com aqueles que se coloca em festas. As pernas dele eram mais cabeludas do que o Tony Ramos* inteiro, o que era bem estranho. E dos seus pés – ou melhor, das suas pernas, saíam cascos, idênticos aos de bode.
– Então um menino-bezerro pode dar conta de duas aves pegando fogo?! – Ulys perguntou, incrédulo.
– É bode! – Valki e Junior disseram ao mesmo tempo.
– Não importa, o que importa é que não vamos deixar você aqui, Junior! – Ulys gritou.
– Isso mesmo! – Disse Valki, em concordância.
– Cara, eu vou me ferrar com o Conselho dos Cascos Fendidos. – Disse Junior. – Mas, está o.k.
Junior tirou uma flauta do bolso, e começou a tocar uma melodia agradável, quando do chão brotou um tirso – um bastão enrolado com heras e com uma pinha na parte superior. Nem mesmo Valki parecia saber o que era isso, mas era bom para Ulys, já que ele não queria se sentir o burro estúpido a maior parte do tempo.
Bée… Digo, atacar! – Berrou Junior.
Valki e Ulys não precisaram pensar muito para decidir que o correto era seguir aquele menino-bode, então pegaram pedras que estavam ao seu lado e correram seguindo eles. Ulys não via como pedras poderiam parar aves de fogo enlouquecidas, mas, não havia outra opção. Valki e Ulys correram em direção aos pássaros.
Atacar! – Eles gritaram, em uníssono.

*Tony Ramos é um ator, poeta e diretor brasileiro.
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Re: Olimpo aqui, Olimpo lá

Mensagem por Soneks em Ter Jul 09, 2013 12:07 am

II
VALKI
Valki estava certa de que “atacar!” definitivamente não foi a melhor escolha, mas ela não poderia ficar parada vendo aquelas fênix transformarem seus familiares em idiotas tostados, mas, ao chegar mais perto das fênix, ela – ou melhor – Todos decidiram dar meia-volta.
Recuar! – Valki e Ulys gritaram, em uníssono.
Béeeeeee – Disse Junior. Valki não sabia se aquilo era um balido, um choro, um grito ou a buzina de um triciclo.
− E agora, o que vamos fazer? – Disse Valki, com expressão amedrontada.
− Não era você a menina dos planos? – Perguntou Ulys.
– Eu disse que era pra vocês terem ido! – Interrompeu Junior.
– Pessoal! Vamos pular naquele lago! – Disse Valki, apontando para um lago à esquerda deles.
Ao chegarem ao lago, Valki e Junior se preparam para pular – Sátiros nadam? – e Ulys fica parado, como se estivesse com medo.
– O que houve, Ulys? – Perguntou Junior.
– Eu… Eu… Eu não sei nadar. – Disse Ulys, olhando para baixo e espalhando areia com um pé.
Valki cai no chão e começa a rir. Ulys, com seus 1,75, corpo levemente atlético, olhos verdes e com seu cabelo despenteado que lembrava levemente um moicano, mas era um pouco maior, de modo que a parte de trás ficava um pouco acima da gola, não sabia nadar. Ela não poderia ficar sem rir dessa vez.
– Você não está ajudando, Valki. – Disse Junior.
– Muito menos aqueles pássaros flamejantes vindo ali! – Respondeu Valki.
– Ela... Ela está certa. – Disse Ulys. – Vocês nadam enquanto eu corro pra outro canto.
Valki ia falar algo como resposta, mas de repente deu para ouvir uma explosão vinda do lado dos pássaros, então saiu algo do tipo “Blamfeflok” por causa do susto. Uma menina que Valki supôs que tivesse por volta dos 14 anos, ela estava vestindo uma camisa branca, casaco prateado, calças prateadas e botas de combate pretas. Valki não sabia se era impressão ou não, mas a menina parecia irradiar uma aura prateada como a lua. Ou ela é a mulher-lua e vai sair voando por aí a qualquer momento, ou ela gosta muito de prata, pensou Valki.
− Essa é a minha área. – Rosnou a mulher-lua. – Quem caça aqui sou eu.
− Vo-você não é uma caçadora de Ártemis? – Perguntou Junior.
− Sim, sátiro idiota. – Ela disse. – Agora para garantir que esses semideuses cheguem ao acampamento meio-sangue, eu acompanharei vocês.
− Hm... Meio-sangue? Vamos ter que doar sangue ou algo do tipo? Sabe, eu ainda não sou registrado nessas coisas e tal... – Disse Ulys.
A caçadora de Ártemis fez um facepalm e ignorou Ulys.
Ah! – Gritou Ulys, e quando Valki percebeu, ele possuía uma flecha no seu braço.
− Isso é uma flecha?! – Perguntou Valki.
− Parece... Uma pena. – Disse Ulys, arrancando a pena do braço, o que parecia doer.
− Droga! – A mulher e Junior falaram ao mesmo tempo. – Devem ser pássaros da estinfália.
− O que é isso? – Perguntou Valki.
− São pássaros que possuem suas penas afiadas com flechas. – Disse Junior. – Eles só podem ser espantados pelo barulho, muito barulho.
− Acho que não temos barulho aqui... – Resmungou Ulys.
− Eu devo ter algumas flechas de som aqu... Ah, elas acabaram na minha última luta. – Resmungou a caçadora.
De repente os pássaros se aproximaram e eles perceberam que estavam condenados, já que não tinham barulho e muito menos sabiam como lutar, ou seja, iriam levar várias flechadas – ou melhor, penadas, e não teriam chance de revidar. Ao menos foi isso que Valki pensou, até que uma flecha-pena veio em direção a Valki e ela desviou, mesmo assim a flecha ainda pegou de raspão e cortou sua franja. Oops, pensou Valki. Depois ela não pensou mais nada. O cabelo dela demorava um pouquinho a mais do que os normais para crescer, ela tinha deixado aquela franja crescendo por cinco anos, e ainda nem chegara aos seus olhos. Ela não poderia deixar aqueles pássaros fazerem isso. E quando ela menos percebeu, sentiu no seu corpo algo que nunca tinha sentido antes, como se fosse explodir, então seus ouvidos estalaram, e a última coisa que ela se lembra é de ter visto Ulys atirar num pássaro da estinfália com um dedo, em seguida ela desmaiou.
***
− Acho que eles estão acordando. – Uma voz feminina falou.
− Eles TEM que acordar depois desse tanto de néctar. – Uma voz masculina respondeu.
Valki abriu os olhos e aos poucos sua visão foi clareando, e se deu conta que estava numa sala que lembrava uma enfermaria. Estava deitada numa cama, e seu irmão estava deitado em uma cama ao seu lado. Tinham duas pessoas sentadas à sua frente, uma era um jovem de cabelos cacheados e castanhos, pele branca e uma barba curta que não dava pra notar muito bem. Outra era uma menina caucasiana, com cabelos e olhos castanhos.
− Você está bem? – A menina perguntou para ela, sorrindo. – Eu me chamo Anne, e esse ao meu lado é o Denyel.
Enquanto Anne falava com ela, Denyel falava com Ulys.
− Acho que estou bem sim. – Disse Valki. – Mas o que aconteceu? Onde estou? Cadê o Junior e a mulher-lua?
− O Junior trouxe vocês para cá e foi para o bosque, mas eu não sei bem o que aconteceu, ele não explicou. Mas fique tranquila, aqui você está a salvo. E, bem... Eu não sei quem é a mulher-lua. – Disse Anne.
− É uma... Caçadora de Ártemis, algo assim. – Disse Valki.
− Ah, sim, a Hani. Ela está falando com o nosso diretor de atividades, Quíron. – Disse Anne. – E esse você já estiver se sentindo bem eu recomendo darmos uma volta para você conhecer o lugar.
− Pode ser. – Disse Valki, se levantando e saindo junto com Anne.
Anne lhe apresentou o local, o que era realmente incrível, tinham os bosques, o campo de arco-e-flecha, o de esgrima, os passeios de pégaso, a parede de lava, a luta com monstros. Mostrou-lhe também a praia, o que a fascinou, pois gostava bastante de praia. Valki também achou o riacho fascinante, assim como o lago de canoagem, os campos verdejantes... E depois lhe mostrou os chalés, um bizarro conjunto de construções dispostas em semicírculo, de um jeito que formava a letra grega ômega (Ω), com um gramado no centro e dois anexos nas extremidades. Pela conta de Valki, havia vinte chalés. Tinha de todas as cores, dourado, prateado, preto, azul, cinza, entre outras. Um era azul com uma porta dourada estampando uma coruja. Outro tinha a parte superior com nuvens, como os céus, e um águia no centro. Havia um que parecia uma fábrica, com porta com dois metais diferentes, paredes marrons, uma bigorna e ferramentas no meio, e do telhado saíam várias chaminés – vinte e duas chaminés, pelo o que Valki podia contar. Realmente, era um lugar maravilhoso, pensou Valki.
− Bom, creio que você já deve ter percebido. – Disse Anne. – Nós somos filhos de deuses, intitulados de semideuses ou meio-sangues. Minha mãe é Atena, a deusa da sabedoria, tecelagem e batalha. E você, tem pai ou mãe divino?
− Bom, acho que tenho pai, já que moro com minha mãe... – Respondeu Valki.
− Então não podemos ser irmãs, que pena. Mesmo assim, você parece uma pessoa legal. Veremos quem é seu pai divino hoje na fogueira. – Disse Anne.
− Fogueira? – Perguntou Valki.
− Sim, é uma tradição do acampamento, todas as noites nos reunimos na fogueira para contar histórias ou sermos reclamados, que é quando nossos pais divinos nos admitem como filhos. – Disse Anne – Agora, vamos para a Casa Grande, que é o local onde o nosso diretor fica, ele quer fazer algumas perguntas para você e para o seu irmão, tudo bem?
− Tudo bem, vamos. – Disse Valki. Mesmo com tudo desse jeito, ela não parecia surpresa, já que sempre quis vivenciar coisa desse tipo.
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Re: Olimpo aqui, Olimpo lá

Mensagem por Soneks em Sab Jul 13, 2013 3:48 pm

III
ULYS
Já Ulys, não estava tão empolgado para conhecer seu pai divino ou sair por aí fazendo coisas “semideusísticas”.
− Meu pai deve ser um baita de um chato. – Disse Ulys.
− Não fale assim dos deuses, eles ficam bravos quando falam mal deles. – Disse Denyel.
Ótimo, agora chegamos ao ponto em que um cara com um nome que rima com pastel me diz o que fazer, ele pensou.
− Bom, agora te apresentarei meu chalé. – Continuou Denyel. – Sou filho de Zeus, meu chalé é o número um.
Denyel apontou para um chalé que possuía uma águia no meio, parecendo um edifício de mármore, com colunas pesadas, grandes portas duplas de bronze que pareciam mostrar raios. Então Ulys seguiu-o para lá.
***
Ao entrarem, o que chamou a atenção dele foi o barulho de trovão frequente na parte do teto, que possuía mosaicos em movimento de um céu nublado. Tomara que eu não seja filho de Zeus, caso o contrário, terei que passar o dia inteiro ouvindo esse barulho chato de trovão, Pensou Ulys.
− Irmão novo? – Perguntou um rapaz relativamente grande, de cabelos pretos e olhos azuis.
− Não, estou apenas mostrando a ele o lugar, Botega. – Responde Denyel.
Claro, um pastel um boteco são irmãos, por que não? Boteco vestia uma camiseta laranja que havia escrito CAMP HALF-BLOOD e um Pégaso abaixo do nome, assim como todos os outros que estavam ali. Em seguida Botega se aproximou de Ulys, e um encarou com um olhar que o fez sentir um frio na espinha, como se estivesse em uma tempestade, então Botega apontou o dedo pra ele e falou.
− Olhe aqui, cara, eu não sei de onde você veio, mas esse chalé não é a casa da Mãe Joana, então o aconselho a ir pro seu. – Diz Botega, como se eu tivesse xingado a mãe dele ou algo do tipo.
− Cara... Sua mãe nunca te ensinou que é feio apontar o dedo para a cara dos outros? – Respondeu Ulys, mesmo sabendo que tinha feito a coisa errada.
Em seguida, Botega fechou o punho e o mandou na minha direção, e eu instintivamente desviei e o dei uma rasteira, derrubando-o no chão, então ele se levantou e ia me bater novamente, mas Denyel interferiu e segurou ele.
− Este é um novato. – Disse Denyel. – Demonstre respeito!
Botega saiu do chalé com cara de raiva.
− Desculpe. – Disse Denyel. – Já faz um tempo que ele está no chalé, mas ele ainda não gosta daqui.
− Tudo bem. – Respondeu Ulys.
− Vamos para a Casa Grande, sua irmã está lá. – Disse Denyel.
***
Casa Grande era basicamente uma grande casa de madeira à moda antiga pintada de azul. Eles entraram e foram para a sala de Quíron, a sala seguia o mesmo padrão da casa, e possuía mesas e cadeiras, em uma delas estava sentada a sua irmã, com sua nova amiga – Anne – ao seu lado e Quíron do outro lado da mesa.
− Você é o irmão dela, rapaz? – Perguntou Quíron, um homem numa cadeira de rodas, cabelo bem penteado e uma barba, ambos castanho-claro.
− Sim, senhor. – Responde Ulys.
− Podem se sentar. – Disse Quíron, olhando para Ulys e para Denyel, então eles sentaram.
− Como já deve saber, meu nome é Quíron, e desculpe começar a conversa com isso, mas, pelo o que a sua irmã me contou, fênix e pássaro da estinfália perseguiram vocês, e no mesmo instante encontraram uma caçadora de Ártemis, não foi? – Perguntou Quíron.
− Sim. – Respondeu Ulys.
− Hmm... Já é raro que um monstro como fênix persiga semideuses, ainda mais pássaro da estinfália em Manhattan, o que torna a ocasião rara duas vezes. – Disse Quíron. – Hani, por que você estava lá?
− Ártemis me mandou para lá, dizendo que eu tinha que fazer algo, mas eu não sei o que seria esse “algo”. – Respondeu Hani.
− Isso é bem estranho... – Alegou Quíron. – Mas já está na hora do jantar, então é melhor deixarmos isso para outra hora.
− Jantar? – Perguntou Ulys. – Estou com tanta fome que comeria um cavalo inteiro!
Ulys não sabia o que Quíron tinha contra pessoas que estão com vontade e comer um cavalo inteiro, porque ele o olhou como se tivessem acabado de xingar a mãe dele.
***
Após o jantar – Que a propósito tinha pratos e copos que faziam qualquer tipo de comida aparecer miraculosamente, qualquer tipo mesmo, porque um menino do chalé de Poseidon pediu fênix assada, e adivinhem: Em questão de segundos, o prato estava cheio de fênix assadas! Então eles que tiveram que dar a melhor parte da comida para os deuses, que era um ritual, para provar a gratidão deles, o que Ulys não achou muito bom, porque o seu pudim de brigadeiro estava muito delicioso. Então, Quíron anunciou a chegada dele e de Valki com um discurso, em seguida o jantar foi encerrado e todos foram para a fogueira, mas nenhum deles dois foi reclamado até agora. E na fogueira, após ouvirem algumas histórias de terror contadas por um menino do chalé de Zeus, Ulys preferia ter sido devorado pelas fênix, porque a voz do menino era mais aguda do que uma vuvuzela*. Então ele desejou que não fosse filho de Zeus, e torceu para que não fosse filho de Zeus, porque não queria ter que dormir ao lado desse menino, definitivamente não queria. Então, quando tudo isso passou e o menino do chalé de Zeus terminou de falar, ele ouviu um barulho de ondas e uma luz verde ao seu lado, e quando se virou, viu Valki, a sua irmã, com um tridente holográfico verde acima da cabeça. Logo, todos perceberam e se curvaram perante ela.
− Salve, Valquíria Langone, filha do deus do Mar. – Falou Quíron, num tom respeitoso, e em seguida todos fizeram o mesmo. Ulys considereu que deveria se ajoelhar também, e repetiu o que os outros fizeram, e logo depois o tridente desapareceu.
− Parece que já conseguimos que uma fosse reclamada, isso pode explicar muita coisa. – Disse Quíron.
− Mas, se ela é minha irmã e o pai dela acabou de reclamá-la, eu também não deveria ser reclamado? – Perguntou Ulys.
− Sim, eu também pensei isso, mas pode haver várias respostas para esta pergunta. Se Poseidon for seu pai e não o reclamou, deve haver um motivo para isso. – Respondeu Quíron.
Ótimo, além de ter sido tirado da minha vida normal, o cara que deveria me reclamar apenas me ignora, o que mais pode acontecer?, Pensou Ulys.

*Tipo de corneta geralmente usada por torcedores em jogos de futebol.
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Re: Olimpo aqui, Olimpo lá

Mensagem por Soneks em Seg Jul 15, 2013 7:40 pm


IV


VALKI

Desde que eles chegaram ao Acampamento Meio-Sangue, já havia se passado uma semana, e, seu irmão ainda não havia sido reclamado. Nesse tempo, ela já tinha ouvido falar sobre semideuses que nunca foram reclamados. Mas, eles não eram irmãos? Por que o pai dela/deles não o reclamou ainda? Não que ela se importasse, mas achou isso cruel.
− Ansiosa pelo caça-bandeira amanhã? – Perguntou alguém. – Aquela bandeira deve ser bem suculenta.
− Talvez até um pouco nervosa, Cesar. – Respondeu Valki. – Já que é a primeira vez que participo disso.
− Ah, não precisa se preocupar. – Disse Cesar. – O chalé de Poseidon vai ser o time azul, e vai formar aliança com o chalé de Hermes, o chalé de Hades, o de Atena e o de Hefesto. Os outros vão ser o time vermelho, mas mesmo assim temos vantagem.
− Se o chalé de Hermes vem, significa que meu irmão também vem? – Perguntou Valki. – Digo... Ele está lá, já que os indeterminados ficam lá também.
− Isso mesmo. – Disse Cesar, sorrindo. – E semana passada treinei esgrima com seu irmão, ele é bem habilidoso.
− É bom mesmo que seja. – Ordenou Valki. – E, bom, é normal que filhos de Poseidon ganhem correntes de calça do mesmo?
− Como assim correntes de calça? – Perguntou Cesar.
− É que um dia desses, quando fui à praia, do mar saiu uma carta, e dentro dela uma corrente de calça. – Respondeu Valki. – Creio que seja do nosso pai, já que a carta não estava molhada.
− Hmm... Acho que sei o que é. – Disse Cesar. – Amanhã eu te digo, porque já está na hora de dormir, vamos para o chalé, antes que passe da hora estabelecida para o Quíron.
− Ok. – Disse Valki, então eles entraram no chalé.
O chalé de Poseidon era incrível, aos olhos de Valki. As paredes eram azuis, feitas de madrepérola, o interior sempre tinha cheiro de mar, assim como também se ouvia o barulho do oceano ao se concentrar um pouco. Ao lado da porta, havia duas janelas, as quais eram viradas para o mar, e acima da cama de cada um havia uma janela, que por ela dava para ver como se estivesse em um submarino, dentro do oceano. O espelho da cama era branco com duas cabeças de cavalos de madeira, e o colchão era colchão d’água, tão confortante como a água. O chalé tinha apenas três campistas, mas várias camas, o que era estranho. Valki se deitou em sua cama e achou que demoraria a dormir, porque estava sem um pingo de sono, mas parece que ela adormeceu assim que terminou de pensar isso, e de repente estava em um sonho.
Ela estava no... Mar. Ela estava no mar, dentro do mar, em frente a algo que parecia um palácio. Logo após, sua visão mudou, e agora estava em frente ao que parecia ser uma gaiola, havia um homem lá, com cabelos brancos longos e barba branca longa também, ele possuía olhos azuis e usava um manto, estava conversando com alguém que estava na gaiola.
− Libere o tridente para mim, seu inútil! – Ordenou o cara de fora.
− Você terá que me matar para pegar ele, Ponto! – Gritou um cara dentro da gaiola. – Meu símbolo de poder não pode ser pego por alguém como você!
− Se é assim que quer... – Disse Ponto. – Eu tenho outras maneiras de tomar seus domínios, meu velho amigo, Poseidon.
Poseidon? O cara da gaiola era Poseidon? Mas por quê? E quem era o cara do lado de fora? Ponto? Valki nunca tinha ouvido falar sobre alguém chamado Ponto, mas percebeu que não era algo bom, mesmo sem ideia do que era. Ela olhou novamente para a gaiola e viu dentro delas alguém ocultado pela sombra, mostrando apenas seus olhos verdes-mar, como se fosse um pedido de socorro. Então ela acordou.
***
Já eram três da tarde, e o caça-bandeira estava preste a começar. Os times já estavam se reunindo. Os times vermelho e azul já tinham se separado. Os chalés de Poseidon, Hades, Hermes, Atena e Hefesto pegaram como área a parte sul da floresta, que continha o Punho de Zeus, que era basicamente um monte de rochas, umas sobre as outras, mas pelo menos seria um bom lugar para se botar a bandeira, já que era bastante alto. O time vermelho pegou a parte norte, que continha apenas árvores, então botaram a bandeira em cima de uma árvore alta. Eles dividiram as partes, e ela ficaria com a parte da defesa direita e o irmão dela com a parte da defesa esquerda. Então Quíron apitou e começou o caça-bandeira. De onde eles estavam dava apenas para ouvir o barulho das pessoas, para a sorte deles. Ao menos era isso o que Valki achava, porque de repente apareceram dois filhos de Zeus com nuvens carregadas de raios ao seu lado. Um era Denyel – ou pastel, como o irmão dela chama, e o outro era Botega. Aí ela congelou. Ela não podia fazer nada contra dois caras armados de raios, até podia tentar controlar a água, mas combater raio com água? Nem sendo louca. Mas de repente apareceu a filha de Hades, Rafaela Black, uma menina com 18 anos, pálida e cabelos negros. Então ela invocou alguns esqueletos do chão, só pra variar. Os filhos de Zeus conseguiram explodir alguns esqueletos com seus raios, mas por sorte chegou um filho de Hefesto, Caio Chizzolini, e atacou os filhos de Zeus com sua espada de bronze celestial, que não fere semideuses nem mortais, mas de alguma maneira ela conseguiu absorver os raios sem se prejudicar, o que tornaria mais fácil dos esqueletos renderem eles.
− Nem pensar! – Gritou um menino baixo, que acabou de chegar, e de algum jeito conseguiu gerar fogo nas mãos, e ao lado dele surgiu um menino de Ares, chamado Cadmos, que estava com uma lança que possuía fogo na ponta. Então Cesar e Maxtis, dois irmãos seus, apareceram ao seu lado.
− Valki, acha que consegue controlar a água aqui do lago com a gente? – Eles perguntaram.
− Sim. – Valki respondeu.
Então, juntos, eles controlaram a água e conseguiram varrer os “inimigos” para longe, ao menos foi isso que Valki pensou, porque quando olhou para trás avistou um filho de Atena, chamado Gonçalo, ao lado de seu irmão, lutando contra Denyel, que queria pegar a bandeira, em cima do Punho de Zeus. A batalha estava acontecendo em uma velocidade incrível, mesmo que Gonçalo estivesse com uma foice, Soneks com uma espada e Denyel com outra espada, mas de algum jeito Denyel conseguiu nocautear os dois. Talvez ele tenha trapaceado usando eletricidade, pensou Valki.
− A vitória é do time vermelho! – Gritou Quíron, então todos os campistas do time vermelho comemoraram.
Perdemos, Pensou Valki. Mas foi apenas a primeira vez, talvez vençamos na próxima.
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Re: Olimpo aqui, Olimpo lá

Mensagem por Soneks em Sab Jul 20, 2013 4:15 am

V
ULYS
Eles haviam perdido o caça-bandeira porque Ulys havia perdido a batalha contra Denyel, ele conseguiu desarmar os dois e pegar a bandeira, o que foi uma coisa bem gloriosa. Mas, Ulys estava cuidando para que isso não acontecesse de novo. Escondidos de Quíron, Ulys e Caio iam todas as noites, quando todos tinham ido dormir, para as forjas, e de alguma maneira, ninguém havia percebido, ainda. Caio, filho de Hefesto, bastante habilidoso, estava forjando a arma que Ulys pedira, se saísse como ele planejara, seria impossível perder qualquer batalha.
− Você tem certeza de que vai querer o colar com o pingente em forma de tridente, Ulys? – Perguntou Caio. – Não sabemos se Poseidon é seu pai, ainda.
− Não me importo com isso. – Respondeu Ulys. – Faça em forma de tridente mesmo.
− Tudo bem, já que quer assim. – Disse Caio.
***
Já estava perto de amanhecer, e eles ainda estavam nas forjas. Caio estava quase terminando o que Ulys pediu, ou seja, não precisariam mais vir para cá todas as noites. Falando em noites... Uma noite dessas, Ulys havia acordado na sua cama, no chalé de Hermes, e ao seu lado havia duas caixas, ambas marrons, sem detalhe nenhum. Ulys pensou que fosse de alguém que por engano deixou ali, ou algo do tipo. Mesmo assim, a curiosidade foi maior e ele abriu para ver o que tinha, então, em uma caixa deu de cara com um casaco cinza, daqueles que vem com capuz, e na outra tinha uma All Star, dentro dele, uma carta que dizia:
“Quando achar que precisa, grite ‘Maia!’”
Provavelmente algum filho de Hermes roubou da... Civilização Maia? Ulys não duvidava, já que esses filhos de Hermes roubam tudo de qualquer um. Então ele decidiu ficar com isso pra ele, já que se quem roubou quisesse de volta, era só roubar, que ninguém ia perceber, inclusive estava usando o casaco e os tênis agora, também porque usar só a camisa do Acampamento Meio-Sangue com aquele Pégaso no meio fica muito sem estilo.
− Ei, Ulys! – Chamou Caio. – Você está aí?!
− Hã? – Perguntou Ulys. – Eu saí?
− Não, mas eu já estou te chamando faz tempo e você não responde.
− Ah, desculpe, é que eu tinha me distraído. – Respondeu Ulys.
− O que você pediu está pronto. – Disse Caio. – Teste para ver se funciona.
− Ok. – Respondeu Ulys, então ele colocou um colar com um pingente em forma de tridente no pescoço, em seguida, colocou a mão sobre o dente direito do tridente e puxou, arrancando essa parte de lá, no mesmo instante uma luz apareceu na sua mão e de repente estava segurando uma espada de 95 cm, puro bronze celestial – metal que pode matar monstros, tais como aquelas fênix. – Ulys repetiu o mesmo com o dente esquerdo do tridente, e também virou uma espada, então o garoto estava segurando duas espadas de puro bronze celestial.
− Wow! – Exclamou Ulys. – Isso foi demais!
− Tá bom, cara das duas espadas. – Disse Caio. – Agora, vamos cada um para o seu chalé, antes que sintam nossa falta.
− Tudo bem. – Respondeu Ulys.
Então Caio foi para o chalé de Hefesto, nº 9. E Ulys foi para o chalé de Hermes – que também serve para os indeterminados. – nº 11. Ele estava com bastante sono, pois dormiu assim que fechou os olhos, e começou a sonhar. No sonho dele, haviam campos floridos, pessoas sorrindo e se divertindo. Então... Um meteoro caiu do céu e em um segundo, tudo estava em ruínas, pessoas pegando fogo e mortas no chão, enquanto as que restavam estavam chorando, não havia restado um pingo de felicidade. Daí uma voz que lembrava algo velho, EXTREMAMENTE velho, começou a falar.
Ulysses Dummont. – Exclamou a voz. – Ulysses Dummont, finalmente terei meu jantar... E ele será trago até mim pela SUA mão, pequeno larápio.
O que era isso? Como quem estava falando sabia seu nome completo? Será que era apenas um sonho? E por que ele foi chamado de pequeno larápio? Do que isso estaria falando? Ulys não deixava de fazer todas essas perguntas a si mesmo enquanto isso falava.
−Não adianta tentar fugir com essas previsões inúteis, meio-sangue.– Continuava a voz. – Vocês não tem prazo para conseguirem salvação, seus prazos acabaram séculos atrás!

Então Ulys ouviu o barulho de algo se quebrando, e acordou. Já era de manhã pelo visto, então ele tomou o café e foi passear pelo acampamento, para tentar esquecer aquilo, e viu um grupo de campistas reunidos em frente aos chalés. Ele se aproximou para ver o que era, e viu Quíron “regulando” uma caixa de som, ela era estranha porque tinha um formato de um triângulo escaleno. Então, quando ele chegou mais perto, pode ouvir alto e claro, palavras estavam saindo da caixa do som, e, além disso, era possível ver as palavras, como uma legenda, elas formavam:
O mais novo indeterminado,
Ajudará a manter o legado.
Em dois grupos se dividirão,
Aqueles que o deus do mar em perigo salvarão.
Então o barulho parou, todos ficaram em silêncio, e Quíron deu uma pancada na caixa, como se ela estivesse com... Defeito? Ele realmente não sabia. Mas, a caixa continuou:
Nos campos verdes do grande O entrarão no bote,
Nas áreas sábias de Nuuk deixarão seu toque
.”
Então, o som parou de vez e Quíron se contentou em não ter que chutar a caixa de som.
− É, meu amigo, isso foi uma profecia. – Diz Hiruki, um filho de Zeus que apareceu ao meu lado.
− Isso significa... Uma missão? – Perguntou Ulys.
− Sim, e você deve saber quem é o mais novo indeterminado.
− Crianças, a profecia de hoje possui seis linhas, o normal é possuir quatro. – Avisou Quíron. – O que significa que ela será mais difícil do que as profecias habituais.
Ninguém disse nada.
− Então, como a profecia diz, o mais novo indeterminado. – Diz Quíron. – E todos sabemos que este é Ulys, nosso mais novo campista, ele será o líder da missão, assim como também escolherá quem vai para canto, e quem vai liderar qual dos dois grupos.
− E-eu? – Perguntou Ulys.
− Sim, você mesmo. – Disse Quíron.
− Tudo... Tudo bem. – Disse Ulys. – Eu escolho a Valki para liderar o outro grupo.
Todos os campistas falam lamentações.
− Então, quem vai para o seu grupo? – Perguntou Quíron.
Ulys não sabia quem escolher, então se deixou levar pelo instinto.
− Hmm... Cesar e Anne – Disse Ulys, apontando para os dois.
− Tudo bem. – Confirma Quíron. – E você, Valki, escolhe quem para ser do seu grupo?
− Eu escolho Caio e Denyel. – Disse Valki, e pelo visto, também foi na sorte.
− Tudo bem, crianças. O acampamento preparará o que é preciso para vocês irem para a missão. – Disse Quíron.
Tomara que eu me saia bem, Pensou Ulys. Pelo menos isso tem que dar certo, pelo menos isso.
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Soneks
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